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Mal de Alzheimer, uma Doença Psicossomática por: Joaquim Carlos Costa – Psicanalista

Mal de Alzheimer, uma Doença Psicossomática

 Texto de: Joaquim Carlos Costa – Psicanalista

 

O avanço tecnológico, a globalização, os valores que se transformam constantemente, para adaptar o homem no sistema mundial, produzem grandes transtornos sociais e individuais, na medida em que se perde o ponto de referência (valores tradicionais) obrigando e empurrando o indivíduo no mercado da vida, onde nada é definido, pois tudo tem um preço conforme a necessidade do mercado.

 Hoje existe muitas denominações ou diagnósticos, que classificam as doenças psicossomáticas institucionalizadas, porque ela difere do comportamento padrão e especifico de uma determinada sociedade. Mas o maior problema, não é a doença em si, mas como a sociedade confronta esta realidade, que é simplesmente o caráter psicológico de uma pessoa. Pois para o sistema, cada pessoa, cada trabalhador é uma engrenagem que move os seus elementos. Uma engrenagem, que pode ser substituída, conforme a necessidade, pois todo sistema social é materialista e uma mola propulsora do Estado, que não se preocupa com o sentimento e as necessidades especificas das engrenagens (trabalhador). Só as suas necessidades imediatas, que estimulam e os mantém como peça de produção. Por isso muitos ao se aposentarem, se sentem deslocados, pois a sociedade só o ensinou a produzir e não a viver.

Nenhuma doença psicossomática tem a sua origem no organismo, mas no confronto de relações interpessoais, que a partir de um trauma, forma uma lacuna que desenvolve todo um conjunto de mecanismos em busca do equilíbrio, porque o corpo sofre tanto mais, quando mais profundo abalado estiver o espírito. Ou seja, o que caracteriza uma somatização, é como os mecanismos de defesa, atuam inconscientemente em busca do equilíbrio, para diminuir a tensão.

Com o avanço da medicina, a longevidade da população aumentou, como o número de pessoas diagnosticadas com Mal de Alzheimer, pois ninguém quer morrer, como também ninguém quer ficar velho. E quando fica, luta-se para não se sentir-se velho. Mas quando a vida e a sociedade envelhecem ou mata o seu mundo, então muitos entendem, que não tem mais opções, por isso regridem para um lugar seguro, para seu psiquismo.

Se analisarmos melhor, o desenvolvimento fisiológico da vida é um círculo. Quando nascemos, não temos tônus muscular, cabelos, dentes, precisamos de ajuda para higiene e na alimentação. E quando envelhecemos, voltamos ou regredimos ao estágio inicial. Mas na infância é o começo e a velhice é o fim de uma existência. Por isso também, muitas pessoas ao alcançarem uma determinada idade, principalmente se for viúvo, passou a ser dependente involuntário dos filhos, perdendo assim sua própria individualidade e autonomia do próprio destino, principalmente quando se era uma pessoa muito ativa, produtiva e independente, ou seja, nem todas as pessoas, a partir de seus valores e personalidade, se adaptam a velhice de seu mundo.

O mal de Alzheimer começa a se manifestar, quando uma pessoa perde os seus referenciais, que o conduziam a um objetivo, motivação e libido, produzindo assim um estado de Melancolia. Como? Pessoas que eram ativas, independentes, dormiam pouco, tinham uma vida sexual e afetiva intensa, boa memória, adoravam fugir da rotina, de repente se aposentam, ficam viúvos, não conseguem mais ter um hobby, pois não tem mais os antigos amigos e parceiros para se relacionar, como os lugares e os valores que eram referência, não existem mais, provocando o sentimento de perda. Ou seja, o seu mundo mudou ou não existe mais, então porque acordar, se concentrar, investir o seu tempo e sentimento no que não acredita mais. Na medida que as lembranças do passado de alegria e de conquistas de vida se tornam mais importantes que o presente do qual se sente deslocado, passa-se então a investir sua energia e a viver de lembranças.

Diagnosticado pela ciência institucionalizada, que é patrocinada pelos laboratórios farmacológicos, como uma doença degenerativa, o Mal de Alzheimer, tem dado muito lucro, mas não resgata a vida de pessoas, que não são engrenagens defeituosas, que a partir de um conjunto de sentimentos, são tratados como velhos dementes ou esquizofrênicos. Por que? Porque não foi analisado a vida pessoal, o sentimento e os sintomas psíquicos, que podem se transformar em somatizações. Ou seja, foi diagnosticado a febre, que é o sintoma, mas não a origem da doença.

Na busca do equilíbrio emocional e psíquico, neste caso, primeiro foge e se nega o presente sem sentido, regredindo para o passado, onde se era feliz, ou seja, o Mal de Alzheimer é a soma de um conjunto de mecanismos de defesa do ego (fuga, negação, comodismo e regressão são os mais utilizados).

O POR QUE, deve ser sempre feito, para questionar todas as variáveis possíveis, e não somente as que se controla em laboratório, ou se analisa nas quatro paredes de um consultório, pois o homem é muito mais complexo na sua simplicidade, que as cobaias de laboratório, pois cada um, reage de forma diversa, a uma determinada situação, embora todos temos organismos similares, cada um sente o mundo de forma diferente, porque o sentido do sentimento é dar sentido à vida!

Psicopatologia

Minha pesquisa foi realizada inicialmente, com uma anamnésia com parentes (filhos na maioria) que conviveram e cuidaram, ou cuidam de doente com Mal de Alzheimer, para que se possa formar um perfil da pré-disposição, pois na psique nada é definido. Mas é importante citar, que todos foram diagnosticados por médicos (clínicos, neurologistas e psiquiatras).

Toda manifestação psíquica tem origem em uma cadeia de relações, ou no conjunto de mecanismos de defesa do ego atuantes, para diminuir a ansiedade, que desenvolvem, e caracterizam uma doença. Por isso o Mal de Alzheimer se tornou uma doença institucionalizada, pois na medida que os valores se tornam obsoletos frente as relações interpessoais atuais.

O perigo do Diagnóstico

                         É ensinado no curso de Psicologia, que o diagnóstico induz ao erro e na psicanalise que o diagnóstico induz a doença, ou seja, o paciente é o centro e a vítima desta arma, muito valorizado pela Psiquiatria. Porque o diagnóstico é também uma rotulação, que conduz e obriga o paciente a carregar e a sofrer todo tipo de consequências a ela ligadas.

Os distúrbios psíquicos ou emocionais não são permanentes, pois se transformam ou se adaptam, conforme sua pré-disposição e os mecanismos de defesa utilizados para diminuir a ansiedade, a tensão e o medo frente a determinadas situações.

                    Fatores

                       Em 1912, Alzheimer, psiquiatra alemão, diagnosticou a causa do esquecimento de memória recente pela primeira vez, com o padrão e a metodologia médico hospitalar de sua época, com base na análise de distúrbios da mente, do qual, muitos outros psiquiatras, com o crescente número de pacientes identificados com estes sintomas, se interessaram em estudar e tratar este Mal. Assim esta doença entrou na categoria de demência profunda, hereditária de degeneração do cérebro. Ou seja, após o diagnostico psiquiátrico, o paciente deixa de ser um ser portador de sensibilidade e sentimento e passa a só ser um portador de um Mal.

                          No início só se observava o paciente e o sintoma, pois a metodologia neurológica e psiquiatra tem como princípio, analisar o organismo, esquecendo que cada pessoa é um ser social, dotado de sentimento, que sofre traumas, angustia, decepções, stress etc., que são a consequência de suas relações interpessoais, que atuam no desenvolvimento psíquico de cada um.   Neste período não se observou variáveis da época, como higiene, poluição de produtos de consumo sem fiscalização etc., ou o tipo de padrão social da população da época.

                            Com a desenvolvimento tecnológica, a natureza sofreu os efeitos colaterais desta chamada evolução, proporcionando novos diagnósticos e a teoria de que o Mal de Alzheimer não é necessariamente hereditário, pois pode ser adquirido, como por exemplo no Japão, onde se atribui que os habitantes remanescentes de uma cidade mineira, adquiriram Alzheimer ao consumirem a água contaminada com ferro da ex mina. Ou seja,  o fator químico funcionou como um gatilho , pois o organismo debilitado contribuiu para que os habitantes remanescentes ,desta ex cidade mineração , adquirissem os sintomas de Mal de Alzheimer , porque com o fim da mineração , a mão de obra ativa ,que dava vida e sustentação a esta cidade, tiveram que emigrar em busca de trabalho , deixando para trás, uma cidade quase vazia e habitada por pessoas aposentadas , que ao responderem  uma  pesquisa , afirmaram que só não acompanharam os mais jovens por comodismo. Assim, a rotina, lenta, ociosa e sem atrativos foi minando as prioridades de vida.

                           Um outro gatilho é o fator psicossocial, que tem grande influência nesta minha pesquisa, que aciona grande parte dos sintomas psicossomáticos deste sintoma, pois atua como uma histeria coletiva, que é o efeito colateral da sociedade com seus valores impostos, como a própria vida.

Mecanismos de Defesa

                      Toda neurose ou doença psicossomática, tem um conjunto de mecanismos de defesa do ego, que atuam em conjunto, com a função de diminuir a tensão frente a problemas não resolvidos, onde cada um tem a função de cobrir e fortalecer o outro, formando uma couraça de defesa. Por isso no tratamento psicanalítico, os sintomas encontrados são secundários, pois o importante é a origem do problema. E são nos sintomas, que se manifestam os mecanismos de defesa do ego.

                           No Mal de Alzheimer, encontra-se com frequência o COMODISMO de não querer enfrentar ou continuar lutando de forma independente pela vida.

FUGA - onde o paciente procura fugir da realidade que lhe é sofrível, ou onde ele não consegue se encaixar e se relacionar de forma construtiva, como fazia no passado.

NEGAÇÃO - paciente nega o presente ou a realidade que não consegue se adaptar.

REGRESSÃO - o mecanismo sempre encontrado em todas as manifestações neuróticas ou psicossomáticas, pois o paciente tende a regredir a uma área de conforto, quando um problema ou trauma de origem anterior (origem ou primaria), não consegue ser resolvido por ele. Por isso este mecanismo de defesa tem três níveis: Profundo, primário ou secundário.

No Mal de Alzheimer, se apresenta de forma secundaria, pois, o paciente regride a uma fase ou período do qual era feliz e tinha uma certa autonomia e domínio sobre sua vida

           

Lapso de Memória

             O sentimento, força que anima o sentido e a vontade, não pode ser analisado pelo número de neurônios. Mas teoricamente, os neurônios ficam velhos e morrem com o avanço da idade. Então   a velhice se torna um estupor sem memória.

            A memória é formada por muitos pensamentos que povoam a mente, mas somente os que são acionados pela vontade constante pelo sentimento, são os colocados como prioridade e principal foco de atenção. Por isso atribuir lapso de memória ao envelhecimento ou morte de neurônios é limita e determinar um fator humano, que é dirigido pelo sentimento, que pode até ser dopado e destruído, mas nunca vai ser dominado pela ciência farmacológica. Portanto, o lapso de memória é produzido pela falta de prioridade, motivação, pela perda de hábitos, e da libido, provocados muitas vezes da aposentadoria social.

 

Antes de manifestação da doença, eram pessoas que:

-Tiveram algum trauma na infância – 96%

-Tinham boa memória -96%

-Dormiam pouco-55%

-Eram ativos e produtivos-96%

-Gostavam de assumir responsabilidades- 96%

-Tiveram muitos filhos- 85%

-Eram nervosos-96%

-Gostavam de se isolar-65%

-Não gostavam de rotina-80%

-Tinham Melancolia-90%

-Tinham pequenos lapsos de memória-40%

Foi notado com a aproximação da doença:

-Tornaram-se distraídos-96%

-Perderam a concentração-97%

-Começaram a dormir mais-98%

-Perderam a vontade de sair de casa-90%

-Perderam a vontade de fazer qualquer atividade ou hobby-96%

-Perda da companheira (o) - viúves-96%

 

Prevenção

Apesar da sociedade estar se tornando cada vez mais materialista, não devemos esquecer que antes de pensarmos só em nossos problemas, temos que observar, sentir e procurar diminuir o sofrimento dos que estão em nossa volta, para que nosso mundo, assim se torne melhor.

Todos os membros da família, devem compartilhar os problemas e das atividades familiares (refeições, lazer e atividades sociais), como um conjunto em atividade, que compõem a troca afetiva necessário ao equilíbrio familiar e social.

 

Tratamento

Existem três níveis de doentes (Mal de Alzheimer)

Nível 1 - Quando as manifestações são detectadas no início, o paciente pode se submeter a Analise Psicanalítica ou terapia motivadora, como a própria família deve ser orientada.

Nível 2 - Quando a pessoa já está perdendo de forma crescente a memória imediata. Neste caso a família deve ser orientada a fazer determinados procedimentos para despertar e estimular os sentimentos que estão sendo anulados. (Ele deve ser submetido a Analise Psicanalítica)

Nível 3 - Doente com total ausência de realidade e memória do presente, pois com o passar dos anos, a alienação transformou sua vida em vegetativa.

Conclusão      

                    Nem todas as doenças, principalmente as psicossomáticas, são curadas com medicamentos, pois tem sua origem no sentimento e não no organismo, mas quando uma doença se torna crônica, pois o organismo esta afetado. Por isso, temos que ter Fé em Deus, na capacidade e na inteligência do homem de resolver e querer resolver problemas.

Pesquisa

       Com a elaboração de uma anamnésia, com 54 questões, foi encaminhada para vários consultórios e médicos colaboradores, como para vários familiares de pessoas com estes sintomas, que me procuraram para participar desta pesquisa, somando assim 1234 questionários respondidos

 

Joaquim Carlos Costa – Psicanalista

Membro da Sociedade Brasileira de Psicanalise Dinâmica - SINATEN (CTN-MG Nº 03600)

Membro dos Conselhos Municipal do Direito da Criança e Adolescente e Educação

Coordenador da Associação Beneficência Cristã de Pirapora

Cel.- (38) 99983-4220 e (38) 99201-3109 E-mail: jocacosta2663@yahoo.com.br  

 

 

Fonte:
Joaquim Carlos Costa
Psicanalista
jocacosta2663@yahoo.com.br

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